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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

DÁRIO VIDAL – O fascínio da Criação

DÁRIO VIDAL – O fascínio da Criação


Falar sobre a obra do pintor Dário Vidal não é fácil para mim, porque a grande amizade e admiração que nos liga pode condicionar uma análise objetiva e isenta do seu processo criativo. No entanto impõe-se uma reflexão em torno do seu tão coerente como variado percurso criativo.
Tivemos a felicidade de sermos apresentados por uma grande amiga e colecionadora da melhor arte contemporânea, portuguesa e europeia. Nasceu aí uma amizade que nos tem permitido acompanhar a evolução da obra de cada um ao longo das últimas 2 décadas.
Uma nota curiosa que me chamou logo a atenção, a par da sua beleza cromática e do seu rigor técnico, foi que o Dário pinta por séries, deleitando-se no exercício criativo obra após obra após obra, deixando um registo bem documentado do seu fascínio pela arte e arrancando ao seu arquivo de memórias toda a carga imagética e simbólica que constitui o seu universo plástico.
Permitam-me que me detenha por um momento na reflexão sobre o sentido deste termo “simbólico”, que é bastante pertinente para a compreensão da pintura do Dário Vidal.
A palavra “SIMBOLO”, dizem os entendidos, revela variações de sentido bastante consideráveis e pode ser comumente confundida com todo um outro conjunto de imagens que lhe esbatem o sentido. Entre estas encontramos 3 particularmente significativas: o “emblema” – figura visível adotada convencionalmente para representar uma ideia, um ser físico ou moral; o “atributo” – imagem ou realidade que serve de sinal distintivo de uma personagem, de uma coletividade ou de um ser moral; a “alegoria” – figuração de uma proeza, duma situação, duma virtude, dum ser abstrato. No dizer de Henry Corbin, “é uma operação racional que não implica a passagem nem a um novo plano do ser nem a uma nova profundidade de consciência. Estas 3 formas de expressão têm em comum o facto de serem SIGNOS e não ultrapassarem o nível da significação.
Ora é precisamente o anúncio de um outro plano de consciência diferente da evidência racional o que distingue o símbolo dos diversos signos. Ele possui, segundo Gilbert Durand, “um poder essencial e espontâneo de ressonância”. Ele é muito mais que um signo – está carregado de afetividade e dinamismo: pressupõe uma rutura de plano, uma descontinuidade, uma passagem a uma outra ordem. Introduz numa ordem nova de múltiplas dimensões. É por isso que a arte, a verdadeira arte, evita o signo e alimenta o símbolo!
A construção de uma obra plástica por séries, no pintor Dário Vidal, ilustra bem o percurso meditativo que guia o artista no seu amadurecimento interior e que o conduz do signo ao símbolo. Vi surgir, ao longo destas 2 décadas, séries como: “Memórias”, “Janelas e Frutos”, essa série lindíssima “Desde D. Afonso Henriques”, propositadamente composta para uma exposição no Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães, “As Árvores”, com todo o  seu simbolismo mítico associado e que constituem verdadeiras explosões de cor, “Sonhos e Memórias”, o filme onírico de uma autobiografia afetiva, cultural, estilística, como refere Artur Portela no catálogo da exposição, e agora, na galeria Vieira Portuense, “Mundos e Utopias”, culminando este crescendo de maturidade estética que introduz o artista num novo plano: o dos mitos e arquétipos. Se o símbolo arquetípico tem a força de religar o universal e o individual, é no mito que o artista realiza a sua verdadeira transformação. Ele – o mito – constitui, segundo Mircea Eliade, “o modelo arquetípico para todas as criações, seja qual for o plano em que se desenvolvam: biológico, psicológico, espiritual”. Aparece, assim, o mito, como um teatro simbólico de lutas interiores e exteriores que o homem trava no caminho da sua evolução, à conquista da sua personalidade.
Se a cor, como dizia, nos atrai o olhar, é sobretudo com a sua enorme capacidade como contador de histórias que o Dário Vidal nos prende. A sua obra faz-nos sentir a saudade da infância, o fascínio do sótão com os seus mistérios e segredos, ou a alegria da liberdade conquistada. E são registos da memória construídos sobre o palco da vida que desfilam perante os nossos olhos, num espetáculo único de beleza e mistério.
Mas não se esgota por aí o manancial de surpresa que o artista nos reserva: como criança deslumbrada ante a beleza do olhar, o artista não teme a experimentação constante. E eis que o vemos fazer incursões pela fotografia, pela colagem, pela cerâmica, escultura e instalação… e mais ainda, aonde nos leve a sua ambição criadora.
Certo de que a riqueza de uma obra não se esgota na sua interpretação, convido-vos a olhar com o silêncio do coração e deixarmo-nos conduzir pelo universo da pintura de Dário Vidal.

Guimarães, Janeiro de 2012
Alberto D’Assumpção

quarta-feira, 15 de junho de 2011

270x66 cm

 200x156 cm
200x156 cm

DÁRIO VIDAL

DÁRIO VIDAL

Nasceu em Oeiras. Vive em Cascais.

-          Curso da Escola de Artes Decorativas António Arroio.
-          Curso da School of Visual Arts de New York.
-          Curso de produção de Cinema Publicitário (New York University).
-          Foi Director Criativo e Director Geral de grandes Agências de Publicidade.

EXPOSIÇÕES COLECTIVAS EM QUE PARTICIPOU:
-          1965- Galeria Época.
-          1969- School of Visual Arts em Nova York.
-          1969- Soc. Nac. de B. Artes - "Grupo Ordem da Flor"
-          1983- Espaço TEC Cascais - "Gravura Portuguesa Contemporânea"
-          1984- Palácio Foz- " Os Publicitários também pintam"
-          1999- Teatro Mirita Casimiro.
-          1999- Cordoaria Nacional- "Os Publicitários também pintam".
-          2001- Centro Cultural de Cascais
-          2001-“Salão de Outono"- Galeria do Casino Estoril.
-          2001-"Arte 2001"- Palácio da Independência- Lisboa
-          2003- Forte de Santo António no Estoril.
-          2004-“Artes na PUB” – Espinho.
-          2005-“Artes na PUB” - Espinho
-          2006- Fundação Marquês de Pombal – Oeiras.
-          2006- “Artes na PUB” – Cascais.
-          2007- “A Publicidade e a Arte” – Museu da Água – Lisboa
-          2009- Com Cascais – Cascais
-          2009- Pontes Luso Galaicas – Porto
-          2009- IV Bienal de Coruche
-          2009- V Exposição da Academia de Letras e Artes
-          2010- 5 Artistas na antiga António Arroio
-          2010- Galeria Corrente d’Arte
-          2010- Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros
-          2010- VI exposição Academia de Letras e Artes
-          2011- Artistas de Oeiras – Palácio do Egipto
-          2011- Centro Cultural de Cascais - acervo
-          2011- “Os de cá” – Galeria do Casino Estoril
-          2011- Centro Cultural de Cascais
-          2011- Salão de Outono – Casino Estoril
-          2011- 3 Pintores e uma Escultora – Marina de Cascais

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS:
2001- “A Arte no Fogo” – Galeria da J. de Turismo da Costa do Estoril (fotografia
2001- Ermida de Nª Srª da Conceição – Lisboa (Pintura)
2002- Paço dos Duques – Guimarães (Pintura e Escultura)
2006- Livraria “O Museu dos Espelhos” – Aveiro (Desenho)
2006- Galeria “Corrente d’Arte” – Lisboa (Pintura e Instalação)
2006- Teatro Mirita Casimiro –Estoril
2007- Galeria Ribamar (C. M. de Oeiras) – Algés (Pintura
2011- Teatro Mirita Casimiro
OBRAS EM INSTITUIÇÕES OFICIAIS:
- Museu Nacional do Paço dos Duques de Bragança – Guimarães (Pintura)
- Museu da Água – Lisboa (Pintura)
- Colecção Berardo (Cerâmica)
- Colecção D. Kapland – New York (Pintura)
- Fundação Marcel de Botton – Cascais (Pintura)
- Fundação D. Luís I – Centro Cultural de Cascais (Pintura)
- Fundação Marquês de Pombal – Oeiras (Pintura)
- Liga dos Combatentes – Delegação Oeiras (Pintura e Cerâmica)
- Câmara Municipal de Oeiras (Pintura e Cerâmica)
- Biblioteca S. Domingos de Rana (Escultura)
- Grupo Logoplaste (Pintura e Escultura)
- Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros
Membro da Ala – Academia de Letras e Artes
Prémios: Prémio de Pintura – Fundação Marquês de Pombal
Bibliografia – citado no Anuário Internacional de Arte.